Vai acontecer em Aveiro, no espaço do Gretua, nos dias 31 deMarço, 14 e 21 de Abril, das 15 às 19.
O formador (ou facilitador) chama-se Celso Teixeira e é licenciado em Terapêutica Ocupacional, Pós graduado em Reabilitação e Inserção Social e sócio da Sociedade Portuguesa de Psicodrama.
A oficina custa 25 euros.
As inscrições podem fazer-se até sexta, dia 23, na Casa Municipal da Juventude.
(número máximo de participantes:16)
Promete ser interessante!
Nem sempre podemos dizer que não acontece nada por estas bandas...
Por mjoaoregala
22.3.07
Dia Mundial da Poesia
Hoje faz um frio de Inverno, apesar de estar estabelecido que se inicia a estação das flores.
Hoje comemora-se o Dia da Árvore, estafada convenção, num mundo onde todos os dias se destrói floresta e se ergue betão sem contemplações.
Hoje é também o Dia Mundial da Poesia. Paramos, para ler um poema?
De Herberto Helder:
" Minha cabeça estremece com todo o esquecimento.
Eu procuro dizer como tudo é outra coisa.
Falo, penso.
Sonho sobre os tremendos ossos dos pés.
E a morte passa deboca em boca com a leve saliva, com o terror que há sempre
no fundo informulado de uma vida.
Sei que os campos imaginam as suas próprias rosas.
As pessoas imaginam os seus próprios campos de rosas.
E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente
eu pudesse acordar.
Por vezes tudo se ilumina.
Por vezes sangra e canta.
Eu digo que ninguém se perdoa no tempo.
Que a loucura tem espinhos como uma garganta.
Eu digo: roda ao longe o outono
e o que é o outono?
As pálpebras batem contra o grande dia masculino
do pensamento.
Deito coisas vivas e mortas no espírito da obra.
Minha vida extasia-se como uma câmara de tochas.
-Era uma casa- como direi?-absoluta.
Eu jogo, eu juro.
Era uma casinfância.
Sei como era uma casa louca.
Eu metia as mãos na água: adormecia, relembrava.
Os espelhos rachavam-se contra a nossa mocidade.
Apalpo agora o girar das brutais,
líricas rodas da vida.
Há no meu esquecimento, ou na lembrança total das coisas
uma rosa com uma alta cabeça,
um peixe como um movimento rápido e severo.
Uma rosapeixe dentro da minha ideia
desvairada.
Há copos, garfos inebriados dentro de mim.
-Porque o amor das coisas no seu tempo futuro
é terrivelmente profundo, ´s suave,
devastador.(...)"
in Ou o Poema Contínuo, Assírio e Alvim
Por mjoaoregala
Hoje comemora-se o Dia da Árvore, estafada convenção, num mundo onde todos os dias se destrói floresta e se ergue betão sem contemplações.
Hoje é também o Dia Mundial da Poesia. Paramos, para ler um poema?
De Herberto Helder:
" Minha cabeça estremece com todo o esquecimento.
Eu procuro dizer como tudo é outra coisa.
Falo, penso.
Sonho sobre os tremendos ossos dos pés.
E a morte passa deboca em boca com a leve saliva, com o terror que há sempre
no fundo informulado de uma vida.
Sei que os campos imaginam as suas próprias rosas.
As pessoas imaginam os seus próprios campos de rosas.
E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente
eu pudesse acordar.
Por vezes tudo se ilumina.
Por vezes sangra e canta.
Eu digo que ninguém se perdoa no tempo.
Que a loucura tem espinhos como uma garganta.
Eu digo: roda ao longe o outono
e o que é o outono?
As pálpebras batem contra o grande dia masculino
do pensamento.
Deito coisas vivas e mortas no espírito da obra.
Minha vida extasia-se como uma câmara de tochas.
-Era uma casa- como direi?-absoluta.
Eu jogo, eu juro.
Era uma casinfância.
Sei como era uma casa louca.
Eu metia as mãos na água: adormecia, relembrava.
Os espelhos rachavam-se contra a nossa mocidade.
Apalpo agora o girar das brutais,
líricas rodas da vida.
Há no meu esquecimento, ou na lembrança total das coisas
uma rosa com uma alta cabeça,
um peixe como um movimento rápido e severo.
Uma rosapeixe dentro da minha ideia
desvairada.
Há copos, garfos inebriados dentro de mim.
-Porque o amor das coisas no seu tempo futuro
é terrivelmente profundo, ´s suave,
devastador.(...)"
in Ou o Poema Contínuo, Assírio e Alvim
Por mjoaoregala
13.3.07
Sociedade Portuguesa de Psicoterapia Psicanalítica
Como é do conhecimento geral, há cerca de um ano nasceu a SPPP que, entre outras coisas, desenvolveu um plano de formação teórica e clínica para psicoterapeutas de orientação psicanalítica.
A SPPP é encabeçada pela Dra. Ana Vasconcelos, e conta com o Professor Amaral Dias como responsável pela Comissão de Ensino.
Neste momento, estão abertas as inscrições para o primeiro ano de formação ( segundo grupo). A avaliar pelo ano passado, vale muito a pena. Os seminários teóricos proporcionam um encontro rico e participado de técnicos da saúde mental, e ajuda-nos a consolidar saberes e a pensar a nossa prática como psicoterapeutas.
Como diz o Professor Amaral Dias, "não há intuição sem conhecimento".
Para os interessados, a informação mais relevante consta do site da SPPP: www.sppp.pt
Por mjoaoregala
A SPPP é encabeçada pela Dra. Ana Vasconcelos, e conta com o Professor Amaral Dias como responsável pela Comissão de Ensino.
Neste momento, estão abertas as inscrições para o primeiro ano de formação ( segundo grupo). A avaliar pelo ano passado, vale muito a pena. Os seminários teóricos proporcionam um encontro rico e participado de técnicos da saúde mental, e ajuda-nos a consolidar saberes e a pensar a nossa prática como psicoterapeutas.
Como diz o Professor Amaral Dias, "não há intuição sem conhecimento".
Para os interessados, a informação mais relevante consta do site da SPPP: www.sppp.pt
Por mjoaoregala
12.3.07
1,5 por cento!!!
1,5 por cento da população portuguesa tem acesso a serviços públicos de saúde mental, é o que noticia hoje o jornal "Público". 1,5 por cento, repito. O senhor ministro, apoiado por mais uma Comissão que vai estudar o assunto, propõe resolver este "problema de acessibilidade grave" em 10 anos.
O que é que se andou a fazer até agora??? A última reforma fez a "descentralização" que não descentrou coisa nenhuma, pois continua tudo concentrado em Lisboa, Porto e Coimbra. Mais recentemente, correu o boato do fecho dos hospitais psiquiátricos. Só espero que não fechem, sem estarem criadas verdadeiras condições para as pessoas que foram afastados do mundo há muito tempo. Agora, fala-se pela milésima vez nos serviços de proximidade, nos serviços prestados na comunidade, na integração nos cuidados de saúde primários. O meu mais sincero desejo é que isso se concretize de facto, com equipas multidisciplinares (não é possível de outra forma), com todas as classes profissionais igualmente dignificadas. E rápido, senhor ministro!
Por Adriana Curado
O que é que se andou a fazer até agora??? A última reforma fez a "descentralização" que não descentrou coisa nenhuma, pois continua tudo concentrado em Lisboa, Porto e Coimbra. Mais recentemente, correu o boato do fecho dos hospitais psiquiátricos. Só espero que não fechem, sem estarem criadas verdadeiras condições para as pessoas que foram afastados do mundo há muito tempo. Agora, fala-se pela milésima vez nos serviços de proximidade, nos serviços prestados na comunidade, na integração nos cuidados de saúde primários. O meu mais sincero desejo é que isso se concretize de facto, com equipas multidisciplinares (não é possível de outra forma), com todas as classes profissionais igualmente dignificadas. E rápido, senhor ministro!
Por Adriana Curado
26.2.07
Experimentum mundi
No nosso mundo estamos a fazer muitas experimentações, como dizem muitos cientistas, com o clima, com a atmosfera, com a terra e não sabemos bem no que isso vai dar. Antigamente, a terra era herdada dos antepassados. Estava fixal, nós alterávamos pequenas coisas. o mundo em que vivemos hoje é construído e reconstruído cada vez mais por nós. Sem sabermos o suficiente para o fazermos correctamente.
As ciências da vida, da mente, do cérebro estão atraídas cada vez mais para as transformações do ser humano. Todas as suas componentes vitais - genética, somática, psíquica, cerebral, neurónica - estão em jogo, como alvos.
(as experimentações) Sobre o homem. A repotenciação do homem. A transformação do homem, em várias direcções. Ou talvez outros modos de existência, não biológica.
No pensamento tecnológico contemporâneo querem ligar a tecnologia à transcendência. Através da imortalidade talvez biológica, pós-biológica. (...) Uma pessoa é a soma dos seus pensamentos. (...) é a soma das suas amizades, das suas relações pessoais. Nesse sentido, penso muitas vezes que há uma comunidade de pessoas, vivas, mortas, futuras, uma espécie de sombra cósmica da nossa espécie, pode ter vários estatutos de existência. (...)
As civilizações, as culturas deixaram de estar isoladas. hoje a tecnologia é planetária. O que acontece envolve todo o planeta. É o todo humano.
Este projecto de transformação do homem (tecnologia da inteligência humana) já vem do último quartel do séc. XIX. E nunca parou. Houve certos avanços na Alemanha nazi, que ficaram mal vistos. Mas hoje pode-se falar em eugenia, que já é perfeitamente aceite...`
É preciso evitar as derrapagens ou conter os "Frankensteins"? Sim, pode dizê-lo. Mas no passado não era preciso controlá-la porque o escopo espacio-temporal das acções que fazíamos era limitado. Hoje há uma potência de acção que desconhecíamos.
Diz-se que a quase inevitável destruição do planeta neste século será resolvida pela ida para outro planeta. Isso traduz uma solução de desprezo pelos humanos. Estamos embarcados numa nave e agora o único modo de salvação é atirar alguns de nós borda fora? É extremamente imoral. Temos de conviver como um todo e sobreviver. Isso é um sucedâneo do racismo. Antigamente achava-se que as raças inferiores deviam desaparecer. Agora pensa-se que nos vamos dividir entre os que podem e os que não podem ser salvos.
Revista Pública
Entrevista, conduzida por Adelino Gomes, a HERMÍNIO MARTINS
Por Ana Lopes
As ciências da vida, da mente, do cérebro estão atraídas cada vez mais para as transformações do ser humano. Todas as suas componentes vitais - genética, somática, psíquica, cerebral, neurónica - estão em jogo, como alvos.
(as experimentações) Sobre o homem. A repotenciação do homem. A transformação do homem, em várias direcções. Ou talvez outros modos de existência, não biológica.
No pensamento tecnológico contemporâneo querem ligar a tecnologia à transcendência. Através da imortalidade talvez biológica, pós-biológica. (...) Uma pessoa é a soma dos seus pensamentos. (...) é a soma das suas amizades, das suas relações pessoais. Nesse sentido, penso muitas vezes que há uma comunidade de pessoas, vivas, mortas, futuras, uma espécie de sombra cósmica da nossa espécie, pode ter vários estatutos de existência. (...)
As civilizações, as culturas deixaram de estar isoladas. hoje a tecnologia é planetária. O que acontece envolve todo o planeta. É o todo humano.
Este projecto de transformação do homem (tecnologia da inteligência humana) já vem do último quartel do séc. XIX. E nunca parou. Houve certos avanços na Alemanha nazi, que ficaram mal vistos. Mas hoje pode-se falar em eugenia, que já é perfeitamente aceite...`
É preciso evitar as derrapagens ou conter os "Frankensteins"? Sim, pode dizê-lo. Mas no passado não era preciso controlá-la porque o escopo espacio-temporal das acções que fazíamos era limitado. Hoje há uma potência de acção que desconhecíamos.
Diz-se que a quase inevitável destruição do planeta neste século será resolvida pela ida para outro planeta. Isso traduz uma solução de desprezo pelos humanos. Estamos embarcados numa nave e agora o único modo de salvação é atirar alguns de nós borda fora? É extremamente imoral. Temos de conviver como um todo e sobreviver. Isso é um sucedâneo do racismo. Antigamente achava-se que as raças inferiores deviam desaparecer. Agora pensa-se que nos vamos dividir entre os que podem e os que não podem ser salvos.
Revista Pública
Entrevista, conduzida por Adelino Gomes, a HERMÍNIO MARTINS
Por Ana Lopes
22.2.07
"se há vida em ti a latejar"...
A vida é, de facto, muito mais surpreendente do que a ficção. Já o disse neste blog, em tom irónico, mas desta vez é com espanto e entusiasmo que trago esta notícia que saíu no Público de ontem, 21 de Fevereiro, que anuncia a alta do bebé mais prematuro do mundo.
Durante o meu estágio clínico tive o prazer de fazer algumas horas de observação de bebés prematuros na unidade de intervenção precoce da Matenidade Bissaya Barreto. Lembro-me muito bem da fragilidade dos bebés internados e do meu espanto perante um deles, um valente que lá estava, tão pequeno, a respirar a plenos pulmões numa luta tremenda pela vida. Nunca soube se ele teve a sorte e a persistência da Amillia, mas aquele respirar merecia uma vida plena.
"Amillia, o bebé mais prematuro de sempre, está prestes a sair do hospital bem de saúde
21.02.2007, Clara Barata
Tinha apenas 22 semanas de gestação e trinta por cento de hipóteses de sobreviver
quando foi obrigada a abandonar a barriga da mãe
a Quando nasceu, Amillia tinha o tamanho de uma caneta. Tinha passado apenas 22 semanas no útero materno e media uns escassos 24 centímetros. Pesava 284 gramas. Os médicos tinham pouca esperança de a salvar: nunca um bebé nascido com menos de 23 semanas e 400 gramas tinha sobrevivido. Mas Amillia fez um risco por cima das sentenças de morte anunciada: ontem estava para ter alta do Hospital Baptista para Crianças de Miami (EUA), onde se encontrava desde que nasceu, a 24 de Outubro. A saída acabou por ser adiada, mas o prognóstico dos médicos continua a ser "excelente" e em breve deverá ir para casa com os pais, Sonja e Eddie Taylor, segundo a CNN.
Durante as primeiras seis semanas, a mãe não pôde sequer pegar em Amillia ao colo, tão frágil era. Ainda não conseguia respirar bem, porque os pulmões não estavam completamente formados. Mas, ao sair da barriga da mãe (por cesariana), respirava sem assistência e tentou chorar.
Pelo padrão médio de desenvolvimento intra-uterino, pode dizer-se que as pálpebras de Amillia estavam a começar a rasgar-se, para que pudesse abrir os olhos. Cuidar de um bebé tão imaturo foi como navegar em águas desconhecidas: "Nem sabíamos qual a tensão normal para um bebé tão pequeno", comentou o neonatologista William Smalling, citado pela AP.
Teve uma hemorragia cerebral ligeira e problemas digestivos, mas que não devem ter consequências para a sua saúde.
Agora está a chegar aos dois quilos e tem 66 centímetros: "Pode deitar-se num berço normal e mamar de um biberão", disse Smalling. "Para mim, até parece gorducha", confessou a mãe.
Amillia foi criada através de fertilização in vitro, ou seja, os espermatozóides do pai e o óvulo da mãe foram "apresentados" num pratinho de laboratório. Só depois de fertilizado, o óvulo foi transferido para o útero.
Estes tratamentos podem ser uma espada de dois gumes: por um lado, permitem a casais inférteis ter filhos. Mas têm riscos, como o parto ser prematuro. É pior se forem gémeos: 61,7 por cento dos gémeos criados com técnicas de fertilização nascem antes do tempo, diz um relatório do Instituto de Medicina das Academias de Ciências dos EUA, divulgado no Verão.
A duração normal de uma gravidez é de 40 semanas (Amillia teve pouco mais de metade desse tempo). A designação de "prematuro" é usada para bebés que nasçam antes das 37 semanas e, nos EUA, cerca de 12 por cento nascem nesse período. Quanto menos peso têm à nascença, menos desenvolvidos estão os órgãos e mais riscos têm de sofrer complicações, como paralisia cerebral, atraso mental, problemas de pulmões e gastrointestinais, ou perda de visão e audição.
Nos últimos 20 anos, novos tratamentos para a infertilidade têm andado a par com o aumento da sobrevivência dos prematuros. A estimativa da Associação Americana de Pediatria para a sobrevivência de um bebé com menos de 23 semanas e 400 gramas era só de 30 por cento. "Talvez tenhamos de reconsiderar os limites, depois de Amillia. Ela é mesmo um milagre""
Por mjoaoregala
Durante o meu estágio clínico tive o prazer de fazer algumas horas de observação de bebés prematuros na unidade de intervenção precoce da Matenidade Bissaya Barreto. Lembro-me muito bem da fragilidade dos bebés internados e do meu espanto perante um deles, um valente que lá estava, tão pequeno, a respirar a plenos pulmões numa luta tremenda pela vida. Nunca soube se ele teve a sorte e a persistência da Amillia, mas aquele respirar merecia uma vida plena.
"Amillia, o bebé mais prematuro de sempre, está prestes a sair do hospital bem de saúde
21.02.2007, Clara Barata
Tinha apenas 22 semanas de gestação e trinta por cento de hipóteses de sobreviver
quando foi obrigada a abandonar a barriga da mãe
a Quando nasceu, Amillia tinha o tamanho de uma caneta. Tinha passado apenas 22 semanas no útero materno e media uns escassos 24 centímetros. Pesava 284 gramas. Os médicos tinham pouca esperança de a salvar: nunca um bebé nascido com menos de 23 semanas e 400 gramas tinha sobrevivido. Mas Amillia fez um risco por cima das sentenças de morte anunciada: ontem estava para ter alta do Hospital Baptista para Crianças de Miami (EUA), onde se encontrava desde que nasceu, a 24 de Outubro. A saída acabou por ser adiada, mas o prognóstico dos médicos continua a ser "excelente" e em breve deverá ir para casa com os pais, Sonja e Eddie Taylor, segundo a CNN.
Durante as primeiras seis semanas, a mãe não pôde sequer pegar em Amillia ao colo, tão frágil era. Ainda não conseguia respirar bem, porque os pulmões não estavam completamente formados. Mas, ao sair da barriga da mãe (por cesariana), respirava sem assistência e tentou chorar.
Pelo padrão médio de desenvolvimento intra-uterino, pode dizer-se que as pálpebras de Amillia estavam a começar a rasgar-se, para que pudesse abrir os olhos. Cuidar de um bebé tão imaturo foi como navegar em águas desconhecidas: "Nem sabíamos qual a tensão normal para um bebé tão pequeno", comentou o neonatologista William Smalling, citado pela AP.
Teve uma hemorragia cerebral ligeira e problemas digestivos, mas que não devem ter consequências para a sua saúde.
Agora está a chegar aos dois quilos e tem 66 centímetros: "Pode deitar-se num berço normal e mamar de um biberão", disse Smalling. "Para mim, até parece gorducha", confessou a mãe.
Amillia foi criada através de fertilização in vitro, ou seja, os espermatozóides do pai e o óvulo da mãe foram "apresentados" num pratinho de laboratório. Só depois de fertilizado, o óvulo foi transferido para o útero.
Estes tratamentos podem ser uma espada de dois gumes: por um lado, permitem a casais inférteis ter filhos. Mas têm riscos, como o parto ser prematuro. É pior se forem gémeos: 61,7 por cento dos gémeos criados com técnicas de fertilização nascem antes do tempo, diz um relatório do Instituto de Medicina das Academias de Ciências dos EUA, divulgado no Verão.
A duração normal de uma gravidez é de 40 semanas (Amillia teve pouco mais de metade desse tempo). A designação de "prematuro" é usada para bebés que nasçam antes das 37 semanas e, nos EUA, cerca de 12 por cento nascem nesse período. Quanto menos peso têm à nascença, menos desenvolvidos estão os órgãos e mais riscos têm de sofrer complicações, como paralisia cerebral, atraso mental, problemas de pulmões e gastrointestinais, ou perda de visão e audição.
Nos últimos 20 anos, novos tratamentos para a infertilidade têm andado a par com o aumento da sobrevivência dos prematuros. A estimativa da Associação Americana de Pediatria para a sobrevivência de um bebé com menos de 23 semanas e 400 gramas era só de 30 por cento. "Talvez tenhamos de reconsiderar os limites, depois de Amillia. Ela é mesmo um milagre""
Por mjoaoregala
21.2.07
A caminho de uma eugenia liberal?
O futuro da natureza humana - a caminho de uma eugenia liberal?, jürgen Habermas (2006) Almedina
Por Ana Lopes
Por Ana Lopes
Liquid Love, Zygmunt Bauman (n. 1925)
Amor Líquido - Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos (2003)
Apaixonar-se e desapaixonar-se
A afinidade nasce da escolha e nunca se corta esse cordão umbilical, e a menos que a escolha seja reafirmada diariamente e novas acções continuem a ser empreendidas para a confirmar, a afinidade vai definhando, murchando e deteriorando-se até se desintegrar. A intenção de manter a afinidade viva e saudável prevê uma luta diária e uma vigilância sem descanso. Para nós, os habitantes deste líquido mundo moderno que detesta tudo o que é sólido e durável, tudo que não se ajusta ao uso instantâneo nem permite que se ponha fim ao esforço, tal perspectiva supera toda a capacidade e vontade de negociação.
Por Ana Lopes
Apaixonar-se e desapaixonar-se
A afinidade nasce da escolha e nunca se corta esse cordão umbilical, e a menos que a escolha seja reafirmada diariamente e novas acções continuem a ser empreendidas para a confirmar, a afinidade vai definhando, murchando e deteriorando-se até se desintegrar. A intenção de manter a afinidade viva e saudável prevê uma luta diária e uma vigilância sem descanso. Para nós, os habitantes deste líquido mundo moderno que detesta tudo o que é sólido e durável, tudo que não se ajusta ao uso instantâneo nem permite que se ponha fim ao esforço, tal perspectiva supera toda a capacidade e vontade de negociação.
Por Ana Lopes
20.2.07
Sem dor, como é?
Viver sem dor, como é? Viver sem nunca ter sentido dor, como é? Se isto for possível, como será o psiquismo "organizado" sem dor? Será necessariamente diferente daquele que concebemos na actual teoria psicanalítica? Que será do princípio de prazer-desprazer? E do princípio da realidade? E a modificação da frustração que instaura a capacidade para pensar onde fica?
No passado mês de Dezembro, a revista Nature publicou um estudo sobre seis indivíduos no Paquistão que não sentem dor, apesar de serem capazes de sentir tudo o resto (tacto, pressão, noção de posição). Estes indivíduos, sem usufruírem do carácter adaptativo da dor, expõem-se frequentemente a ferimentos e fracturas graves. Os investigadores descobriram que esta ausência de dor se deve a uma mutação genética, que altera o funcionamento de um canal de sódio específico, que impede que o cérebro receba o alerta de dor. É certo que se referem aqui à dor física, mas será que a dor psíquica não percorre os mesmos caminhos no cérebro? Será que a dor física e a dor psíquica são completamente distintas? Haverá uma dor puramente física e outra puramente psíquica? Penso que não. Seria importante que este estudo se estendesse ao funcionamento psicológico destes indivíduos e não ficasse apenas pela possibilidade de se desenvolver novos medicamentos analgésicos.
Por Adriana Curado
No passado mês de Dezembro, a revista Nature publicou um estudo sobre seis indivíduos no Paquistão que não sentem dor, apesar de serem capazes de sentir tudo o resto (tacto, pressão, noção de posição). Estes indivíduos, sem usufruírem do carácter adaptativo da dor, expõem-se frequentemente a ferimentos e fracturas graves. Os investigadores descobriram que esta ausência de dor se deve a uma mutação genética, que altera o funcionamento de um canal de sódio específico, que impede que o cérebro receba o alerta de dor. É certo que se referem aqui à dor física, mas será que a dor psíquica não percorre os mesmos caminhos no cérebro? Será que a dor física e a dor psíquica são completamente distintas? Haverá uma dor puramente física e outra puramente psíquica? Penso que não. Seria importante que este estudo se estendesse ao funcionamento psicológico destes indivíduos e não ficasse apenas pela possibilidade de se desenvolver novos medicamentos analgésicos.
Por Adriana Curado
14.2.07
Portugal é último em bem-estar educativo
Lista da UNICEF
Portugal ocupa o fim da tabela em matéria de bem-estar educativo mas está à frente da Áustria, Hungria, Estados Unidos e Reino Unido na classificação geral, revela um relatório da UNICEF
De acordo com o estudo sobre O bem-estar das crianças nos 21 países da OCDE, realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Portugal surge ainda nos últimos lugares em matéria de bem-estar material das crianças. Este é medido, nomeadamente, pela percentagem de crianças que vivem em lares com rendimentos inferiores em 50 por cento à média nacional mas também pela percentagem de crianças que declaram que têm menos de dez livros em casa (Portugal surge no fim deste gráfico), ou que têm na família um adulto desempregado.
Pior nesta dimensão do bem-estar material só os Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda, Hungria e Polónia (que ocupa a última posição).
Baseado neste critério, a pobreza infantil relativa mantém-se acima dos 15 por cento em Portugal, Espanha e Itália, e em três países anglófonos (EUA, Reino Unido e Irlanda).
Os seis critérios tidos em conta neste relatório sobre a felicidade das crianças são o bem-estar material, saúde e segurança, educação, relações com a família e com as outras crianças, comportamentos e riscos e bem-estar subjectivo.
Na classificação geral, que atende aos seis critérios do bem-estar da criança, o relatório da UNICEF situa Portugal no fim da tabela mas com desempenhos melhores do que a Áustria, Hungria, Estados Unidos e Reino Unido (este último no fim da tabela).
Os países europeus estão à frente da classificação geral para o bem-estar das crianças e são da Europa do Norte as nações que ocupam os quatro primeiros lugares do quadro de honra, com destaque para a Holanda e a Suécia classificadas.
A Bélgica e o Canadá lideram a tabela do bem-estar educativo das crianças, em que Portugal surge em último lugar.
A UNICEF nota, a propósito do bem-estar educativo, medido entre outros, por critérios de literacia e bom desempenho em matemática e ciências, que as crianças que saem da escola e não têm formação vocacional ou emprego «correm indubitavelmente maior risco de exclusão e marginalização», consequência que considera preocupante para os países do fundo da tabela.
«Não há relação directa entre o nível de bem-estar das crianças e o PIB por habitante», nota ainda o relatório da UNICEF. A República checa, por exemplo, «obtém uma melhor classificação geral do que vários países nitidamente mais ricos como a França, a Áustria, os Estados Unidos e o Reino Unido», salienta o relatório.
A comparação entre os países mostra que todos têm carências que precisam de colmatar em relação a alguns critérios. A Holanda é o país campeão na felicidade que proporciona às suas crianças, apesar de dar um nível de bem-estar que a UNICEC classifica de medíocre.
A Suécia, que lidera o bem-estar material, tem de fazer progressos para melhorar a relação das crianças com a família e as outras crianças, um factor de bem-estar no qual a Itália surge em primeiro lugar.
Este critério de convívio conta, nomeadamente, para a percentagem de crianças que vivem em famílias monoparentais ou para famílias reconstituídas, que declaram tomar a principal refeição do dia com os pais mais de uma vez por semana ou que os seus pais têm tempo de conversar com eles.
Os «níveis de bem-estar da criança não são inevitáveis, antes são condicionados por políticas», sublinha a UNICEF que quer fazer do seu relatório «um guia elementar e realista de melhoria possível para todos os países da OCDE».
Lusa/SOL
Por Ana Lopes
Portugal ocupa o fim da tabela em matéria de bem-estar educativo mas está à frente da Áustria, Hungria, Estados Unidos e Reino Unido na classificação geral, revela um relatório da UNICEF
De acordo com o estudo sobre O bem-estar das crianças nos 21 países da OCDE, realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Portugal surge ainda nos últimos lugares em matéria de bem-estar material das crianças. Este é medido, nomeadamente, pela percentagem de crianças que vivem em lares com rendimentos inferiores em 50 por cento à média nacional mas também pela percentagem de crianças que declaram que têm menos de dez livros em casa (Portugal surge no fim deste gráfico), ou que têm na família um adulto desempregado.
Pior nesta dimensão do bem-estar material só os Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda, Hungria e Polónia (que ocupa a última posição).
Baseado neste critério, a pobreza infantil relativa mantém-se acima dos 15 por cento em Portugal, Espanha e Itália, e em três países anglófonos (EUA, Reino Unido e Irlanda).
Os seis critérios tidos em conta neste relatório sobre a felicidade das crianças são o bem-estar material, saúde e segurança, educação, relações com a família e com as outras crianças, comportamentos e riscos e bem-estar subjectivo.
Na classificação geral, que atende aos seis critérios do bem-estar da criança, o relatório da UNICEF situa Portugal no fim da tabela mas com desempenhos melhores do que a Áustria, Hungria, Estados Unidos e Reino Unido (este último no fim da tabela).
Os países europeus estão à frente da classificação geral para o bem-estar das crianças e são da Europa do Norte as nações que ocupam os quatro primeiros lugares do quadro de honra, com destaque para a Holanda e a Suécia classificadas.
A Bélgica e o Canadá lideram a tabela do bem-estar educativo das crianças, em que Portugal surge em último lugar.
A UNICEF nota, a propósito do bem-estar educativo, medido entre outros, por critérios de literacia e bom desempenho em matemática e ciências, que as crianças que saem da escola e não têm formação vocacional ou emprego «correm indubitavelmente maior risco de exclusão e marginalização», consequência que considera preocupante para os países do fundo da tabela.
«Não há relação directa entre o nível de bem-estar das crianças e o PIB por habitante», nota ainda o relatório da UNICEF. A República checa, por exemplo, «obtém uma melhor classificação geral do que vários países nitidamente mais ricos como a França, a Áustria, os Estados Unidos e o Reino Unido», salienta o relatório.
A comparação entre os países mostra que todos têm carências que precisam de colmatar em relação a alguns critérios. A Holanda é o país campeão na felicidade que proporciona às suas crianças, apesar de dar um nível de bem-estar que a UNICEC classifica de medíocre.
A Suécia, que lidera o bem-estar material, tem de fazer progressos para melhorar a relação das crianças com a família e as outras crianças, um factor de bem-estar no qual a Itália surge em primeiro lugar.
Este critério de convívio conta, nomeadamente, para a percentagem de crianças que vivem em famílias monoparentais ou para famílias reconstituídas, que declaram tomar a principal refeição do dia com os pais mais de uma vez por semana ou que os seus pais têm tempo de conversar com eles.
Os «níveis de bem-estar da criança não são inevitáveis, antes são condicionados por políticas», sublinha a UNICEF que quer fazer do seu relatório «um guia elementar e realista de melhoria possível para todos os países da OCDE».
Lusa/SOL
Por Ana Lopes
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